Para aliviar a alma e incrementar palavras...
Bem vindos ao delicioso Pudim de Letras, onde a receita é simples: Bom humor, criatividade, esperança e nem um pouquinho de preconceito.

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04 abril, 2010

Ovelhas.

Eu já me senti mal quando elogios eram tecidos a outrem. Já me senti menor por ser diferente e já fiquei com vontade de me mutilar porque eu não era e nunca fui motivo de orgulho.

Já ouvi centenas e interruptas vezes: “Fulaninha se formou em direito.”; “Olha, casou virgem!”;“ Nunca colocou uma gota de álcool na boca e nunca dançou até o chão.”; “Ajuizada, estudou, se formou... agora casou na igreja, tem uma casa e daqui um tempo vai ter filhos que seguirão o mesmo caminho da mãe.”.

Bobagem.

Nunca fiz nada para causar essa expressão, sempre fui o que queria ser. Não tenho medo de trocar de marido – ainda se ele for o quinto -, não tenho medo de engravidar de novo se for convencida disso, não tenho medo de não ingressar numa carreira pública e de passar o resto da vida sendo comissionada – eu faço o que gosto. -, não tenho medo de ser corrompida, de mudar de idéia, de reverter os planos. Eu só tenho medo de ser infeliz. Jamais de fracasso.

São os erros que compõe a essência da vida, é perder a linha e fazer inúmeras escolhas erradas que nos fazem virar pessoas corrigíveis, pessoas possíveis.

Ovelha negra, - ainda mais para minha família cheia de princípios-, mas ovelha do bem. Ovelha que se orgulha da própria história e que tem inúmeras coisas para contar, inclusive pra filha, porque eu também não tenho medo de que um dia ela se descubra em mim.

Talvez a menininha que casou virgem e que nunca colocou uma gota sequer de álcool na boca pode ser por dentro um imenso túnel obscuro, uma puritana cheia de medo de estar à mostra e com uma infelicidade digna de gente que se tranca em princípios só para fazer um final bonito.

Enquanto isso eu – que continuo sendo ovelha – grito e bato o pé pelas coisas que eu acredito, não sou careta, chata, decente e nem santa.

Filho de Peixe...

Peixinho é.

http://www.borboletaescritora.blogspot.com/

01 fevereiro, 2010

Mulherão

Sagitariana. Com lua em touro e ascendente em gêmeos.
Eu já aprendi a ser menos rude com as pessoas quando eu me sinto ameaçada, aprendi a perdoar - mesmo não conseguindo esquecer, aprendi a engolir sapos, acreditar no meu potencial e brigar pelos meus direitos e não saio mais correndo para o colo do meu do meu pai por qualquer coisa barata.
Estou virando mulher. (e isso assusta!)
Já sei exigir da faxineira, discutir na reunião escolar, fazer compras de mês e impor aos meus clientes.
Já me sinto um mulherão que paga as contas da filha sozinha e que não vê passar os finais de semana. Hora, atende clientes, hora trabalha em eventos.
Que vai ao Saara de ônibus – porque tomou “pau” na prova prática do DETRAN – e volta com muitas sacolas de objetos de decoração. Que a cada evento social acorda as três, de novo as quatro e antes do dia clarear por completo está elétrica fazendo alguma função. Porque hoje, eu aprendi a ser responsável.
Não sou dona Maria e não sei cozinhar, arrumar, passar e lavar. Mas quando preciso é – como nesses últimos dias – eu mesmo pego a vassoura e o ferro de passar para ajudar a economizar. As cuecas limpas hoje dependem de mim, a louça lavada também e eu faço – exceto hoje que contratamos uma faxineira e tive até tempo de escrever.
Mas o fato é que hoje eu juntei as escovas de dente e tenho mais cachorros, filha, home office e muitos afazeres domésticos e mesmo com vontade de estufar o peito e mandar tudo &%$@%$#%, eu tenho aprendido a ser orgulhosa de mim mesma.
Me olho no espelho e me acho a tal, mulher para cacete para ficar remoendo, criativa ao extremo para ser subordinada e dona de uma integridade sem fim para aceitar desaforos. (mas só às vezes)
E por nunca ter sido tão mulherão e de repente ter que se tornar uma pela força das circunstâncias é que eu sinto falta do cheiro do arroz com feijão da minha mãe na entrada da porta de casa, do meu avô sentado no bar bebendo uma das suas cervejas e me dando sempre uma moedinha para agradar – ele hoje está completamente impossibilitado de cervejinhas, ele teve mais de cinco avc -, da minha vó sentada no portão olhando a gente brincar de pique bandeirinha e dos 1.545.545 presentes que eu ganhava dela, do orgulho que eu sentia da minha tia porque ela era elegante, loira e tinha roupas lindas, da corrida que eu dava ao encontro do colo do meu pai e quando eu ainda cabia atravessada na cintura dele, saudade dos mimos da minha vó paterna que tirava uma grana da aposentadoria para me dar o presente que eu queria e que continuava fazendo piada mesmo sendo debilitada.
Falta de chegar em casa e ter alguém para me receber. Ou com a comida que eu gosto, ou com o abraço que eu gosto. Saudade do tempo em que eu não tinha responsabilidades e que a vida era tão simples quanto fechar os olhos e dormir. Que eu era menininha sapeca, primeira neta, primeira filha e primeira sobrinha. Que o mundo ia contra mim e a minha família ia contra o mundo.
Ok, essa nostalgia toda porque fiquei trocando sms com meu pai ontem e deu uma saudade de quando eu era só filha.
Passou...
Eu segui outros caminhos e aprendi tudo sozinha, da pior forma possível. Mas, mesmo assim olho no espelho e sinto orgulho de mim e tenho certeza que a minha família também vibra, porque a princesinha da casa virou mulher, uma baita mulher que é capaz de carregar o mundo nas costas se for preciso. Sou a irmã mais velha, que quebrou barreiras e a cara e que eu sirva de exemplo, nos piores e melhores momentos da minha vida.
Mas, de preferência hoje.

02 outubro, 2009

A difícil arte de educar

Dessa vez sem tantos dramas, mas a única coisa que me tem feito pensar nos primeiros 5 minutos antes de pegar no sono é na difícil arte de educar e em como eu tenho repetido os feitos dos meus pais, na minha época de criança.
A Anna Júlia já está com seus 9 anos, par de peitos, escrevendo no diário sobre a paixão pelo amigo do colégio e só procura as bonecas quando dou fim no lazer de assistir televisão e fazer ligações para amigas.
Juro que me dá certo pânico, que fico extremamente confusa e querendo fazer tudo diferente de como foi comigo. Mas, quando eu vejo já incorporei a minha mãe, nos gritos, e o meu pai, deixando bilhetes pelo quarto dela dizendo o quanto eu estou cansada.
Vivo alugando a psicóloga do colégio, querendo acertar. Querendo fazer dela uma pré-adolescente organizada, caprichosa, querendo que ela leia bons livros, que fale inglês, que tenha acesso a um monte de coisas que eu não tive...
Mas é frustrante chegar a conclusão de que realmente os filhos são feitos para o mundo e que não adianta colocarmos em cima deles toda a nossa expectativa.
Enquanto isso, eu que sou uma mãe jovem, tento ser o máximo de informada para não pagar nenhum “mico” quando estiver numa rodinha de amigas da mesma idade dela.
É a danada da “pré-aborrecência” que dá um trabalhão e nos exige o maior cuidado.
Mas fora toda essa dificuldade, eu sou só 17 anos mais velha do que ela, o que já nos faz falar a mesma língua na maioria das vezes. Por isso, quando eu converso, eu converso às claras e quando ela me convida para ver Barbie no castelo de diamantes, não é nenhuma obrigação...
O que importa é só construir uma base, dar estrutura, colo e ombro sempre que for preciso.
Segredo? Não tem não. É só vivenciar a fundo toda a dor e a delícia de ser pai ou mãe, ou pai e mãe.

21 junho, 2009

Quem casa, quer casa

Quando alguém resolve casar, organiza-se uma festa, convida os amigos, escolhem-se o cardápio, as bebidas... Enquanto isso também se escolhe os móveis, os jogos de cama, a cor do sofá, os quadros para decoração... Isso tudo porque algum tempo antes se escolheu o lugar para morar.
Aí vem a festa, os presentes, os amigos, depois a viagem de lua de mel que é aonde o casal vai para se curtir, ficar junto em algum canto do mundo até chegar a hora de dormir pela primeira vez na cama nova, com o jogo de cama com a quantidade de fios escolhida pelos dois.
Passando uns anos pensa-se em alguém para completar a casa. Aí se tenta um filho. De novo um projeto. Agora, escolhem-se os móveis do quarto, a cor das paredes, os kits de enxoval do bebê... e curte-se a barriga, faz fotos em estúdio fotográfico, arruma as gavetas.
Chega o bebê: “cara de um e focinho do outro”. Começa a guerra: choro faminto da madrugada, trocas e mais trocas de fraldas, cólicas, pediatra mensalmente e logo, logo alguém engatinhando na sala de estar e deixando seus queridos objetos de decoração em frangalhos. Mas isso tudo não tem a menor importância. Foi planejado, foi elaborado, foi projetado e você tem par.
Eu já comecei errado. Engravidei aos 16. Passei por toda essa fase de ter bebê sozinha...
Arrumei um emprego aos 17 (o primeiro) e com o dinheiro do meu salário pequeno sustentava a bebê com fraldas e muitas mamadeiras. Sozinha.
Quando eu me apaixonei pelo meu atual companheiro foi muito profundo, muito forte. Eu não namorei, não fiz planos...
Devido a isso eu não escolhi o cardápio da festa, a casa e muito menos o enxoval e provavelmente não chegaremos a decorar o quarto do bebê por escolha dos dois. Eu já tenho a minha.
Eu caí na casa onde moramos hoje, que é dele, de pára-quedas. A estrutura da casa não estava preparada para receber ninguém a mais.
Mas, como tudo na minha vida parece ser de trás para frente, depois de me inserir com toda a felicidade do mundo na casa alheia, resolvemos escolher os móveis, os acessórios da cozinha e... e só! Os lençóis continuam os velhos, as toalhas também e os problemas idem.
Nós dois trabalhamos em casa, ele com web e eu com eventos. E aqui virou o lar, meio família demais, meio trabalho demais, sabe como?
Quando estamos trabalhando juntos rola um arranca rabo, é fato. Porque mesmo que não tenha nada com firma reconhecida, somos praticamente sócios e batemos de frente como todo bom administrador.
Mas, como a casa, o trabalho e a família ficam todos no mesmo ambiente, fica difícil saber separar as coisas.
A conclusão: Quem casa, quer casa. E quer casa transformada num lar, onde a castanha de caju é nossa e ninguém come, onde o telefone não toca no domingo às 8 da manhã com alguém do outro lado querendo informações, onde você pode receber seus amigos sem ter alguém perguntando até que horas vai a festinha, onde nós preparamos um jantar e não vem alguém, que não foi convidado, sentar à mesa, onde conseguirmos dormir até tarde sem barulhos extras, onde possamos pintar a cozinha de verde limão e a escolha é feita somente por nós, onde não haja máquina de lavar e secar comunitária, onde o chuveiro seja só nosso, um lar que estivesse livre de problemas do dia-a-dia, um lar normal que você sai do trabalho e fica morrendo de vontade de voltar logo para casa.
Ah, meu sonho.
Mas, como eu sou levada, sempre trapaceio o destino e mudo a ordem natural e normal dos acontecimentos... Porque que eu quero escolher a casa, lençóis e toalhas novas, fazer a festa, viajar em lua de mel e mais para frente decorar o quarto do bebê e passar pela mesma fase que eu passei sozinha com alguém do lado? Por quê?
Será que é merecido depois de me jogar de cabeça e sem cautela em todas as situações onde a paixão fala mais alto?
A sagitariana aventureira está sentindo o peso nas costas de tomar as decisões certas na hora errada, só porque quer viver demais e tão intensamente que fica impossível esperar.

11 maio, 2009

E o dia das mães...

Acordei tarde. Não tomei café.

Pensei em pedir uma comida cara porque era meu dia, lembrei que tenho que economizar.

Peguei a "bike" com minha cria na garupa, compramos lasanha sadia, suco de uva e mousse de chocolate para a sobremesa. Além de 4 dvd´s para acompanhar a nossa tarde.

Arrumamos a mesinha de centro da sala e aproveitamos a ausência do dono da casa para comer assistindo televisão. Maravilhoso!!!

Me joguei no sofá, e fiquei lá assistindo os 4 dvd's até anoitecer. Eu e minha companheira preferida nesse dia de domingo. Estávamos sozinhas em casa. Podíamos até ter feito brigadeiro de colher, mas faltou coragem para se levantar do sofá.

Se me culpei por não ter passado o dia das mães com a minha? Eu não. Afinal, todo ano é a mesma coisa. Almoço na casa da minha vó e o suflê de bacalhau de todas as datas comemorativas, aquelas crianças correndo, uma gritaria sem fim, a família trololó falando sem parar e eu sempre fugindo logo após encher a pança sem nenhum remorço.

Nesse domingo, meu domingo, eu comemorei acompanhada só de quem nasceu de mim. E não poderia ter sido melhor. Deveria ser assim sempre.


Parabéns a todas as mamães. As atrapalhadas e as exemplares, as jovens e as mais velhas, as cultas e as desinformadas, as bonitas e as feias, as gordas e as magras... se nós não tivéssemos gerado as sementinhas, o mundo não seria mundo hoje. Só existiria o deserto... sem nenhuma espécie de flores.


Principalmente a minha mãe: feliz dia das mães, de novo.



As duas em uma tarde de sol, passeando na Lagoa...

19 junho, 2008

Os opostos se atraem

Ele era barbudo e usava óculos e ela detestava os barbudos, mas achava super sexy homens de óculos.
Ele ouvia rock'n roll e vivia rodeado de mulheres bonitas, ela ouvia mpb e fazia uma porção de caridades por aí...
Ele surfava e andava de skate e ela (pobrezinha) mal sabe nadar e "caga" de medo de altura.
Ele fala inglês, morou fora e já saiu várias vezes do país, ela entrou no curso de inglês três vezes e nunca chegou nem ao Paraguai.
Ele tem bom coração, é humano e racional, ela também tem bom coração, é humana, mas vira um monstro quando se sente atacada.
Ele diz que não gosta de loiras, ela clareia os cabelos só para provar que ele gosta de loiras sim!
Ela briga e ele sempre perdoa.
Ele fala sem pensar e ela também perdoa.
Ela quer se casar, ele ainda não.
Ela disse "eu te amo" antes dele, claro. Ele demorou a dizer, mas hoje diz bem mais do que ela.
Ela pediu ele em namoro. Ele foi vencido pelo cansaço.
Ele sente falta de mais carinho, para ela está bom. Ela odeia "grudes".
Ela adora Chico Buarque, Caetano Veloso, Zeca Baleiro, Gal Costa, Zé Ramalho... e ele adora Iron Maiden, Beatles, The Doors, Queen, Led Zepellin...
Ela ama serra, ele prefere o mar.
Ela abre mão por ele e ele abre mão por ela.
Ela bebe cerveja, ele não bebe.
Ele não escreve e-mail e não manda recado, ela tem blog, fotolog, milhões de e-mails e adora brigar via msn.
Ele canta para ela "... a reason to start over new and the reason is you..." e ela canta para ele "Estranho seria se eu não me apaixonasse por você...".
Ele é todo família e ela é a ovelha negra que detesta reuniões familiares e aquela babação de ovo.
Ela é típica sagitariana e ele tem um pouco de capricorniano.
Ela não fala e ele fica louco tentando fazê-la falar, aí ela escreve...
Ele tem cheiro de homem, ela tem cheiro de creme hidratante de morango.
Ele vive pedindo massagem nas costas, ela moooorre de preguiça.
Ele deixa as gavetas abertas e rouba o controle remoto, ela sempre reclamava mas acabou ficando igual.
Ele é bagunceiro e ela sempre foi.
Ele cuida dela e ela cuida dele também.
Ele adora festas e ela dá tudo de si para fazer a melhor.
Ela estala os dedos dos pés dele e ele os dela também.
Ele é um presente para ela.
Ela é a maior prova, para ele, de que os opostos podem dar certo.
(E não é que ficou bonitinho?!)
Notebook de volta traz inspiração!

08 dezembro, 2007

Fugida

"Nubia, tem que pagar as mesas!" (Gerente)
"Olha não precisamos mais do sorvete que você pediu para amanhã. Cancela tudo!" (Gerente)
"Você pediu carne demais, onde vamos guardar tudo isso?!" (Gerente)
"Olha tem mais gente escalada do que precisava!" (Sr. meu marido)
"Fulaninho não serve para trabalhar aqui e você chamou!" (cozinheira)
"E a cerveja? Vai chegar?" (Gerente)
"Amor, vai lá no escritório pegar o talão de cheque!" (Sr. meu marido)
"Deu comida para os cachorros hoje?"(Sr. meu marido)
"Você não cuida dos seus filhos!"(Sr. meu marido sobre os fihos cachorros)
"Hoje você vai conseguir ir na casa da sua avó?" (Minha mãe)
"Ah você escalou um monte de gente e não chamaram minha mulher" (churrasqueiro)
"Vc é a filha mais linda do mundo! Vai dar tudo certo e não desiste!" (meu pai)
"Vá descarregar a máquina" (Sr. meu marido)
"Pede a cadeira para domingo." (Sr. meu marido)
"Não pede a cadeira p domingo" (sr. meu marido quando já estou ao telefone fazendo o pedido)
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Vou enlouquecer! Alguém me empregada p trabalhar num asilo de velhinhos ou numa creche comunitária?!